Não venha me dizer que sou louca porque escolhi minha felicidade.
Não me chame de rebelde por ter tomado um caminho diferente — ou, ao menos, diferente do que você achava que seria “bom” pra mim.
Não questione meus gostos se você mal conhece os seus.
Nem os meus sonhos, já que se conformou em não conquistar os seus.
Mulheres são agredidas com a palavra “louca”.
Violentadas com o rótulo “coisas de menina”.
Diminuídas com “sensível” — ou o velho clichê: “fraca”.
E o clássico: “histérica”.
Mas em uma coisa eu concordo: quando dizem que gritamos.
Sabe por que gritamos? PORQUE NÃO SOMOS OUVIDAS.
Somos desacreditadas. Invisibilizadas. Enfraquecidas.
Criadas para sermos frágeis.
Plot twist: não somos. E já percebemos isso.
Então não me diga que eu não sei o que estou fazendo.
Eu sei quem sou.
Não questione minhas escolhas — só eu sei o que sinto.
E, principalmente, não ouse achar que sabe mais do que eu o que se passa dentro de mim… …se até hoje você não teve coragem de seguir seu próprio coração.
EU SIGO O MEU.
Nem sempre foi assim.
Já errei muito.
Mas a verdade é que, por tanto tempo tentando ser o que diziam que era “certo” para uma menina, eu nem sabia quem era.
Não conhecia meus desejos — buscava o amor fora de mim.
Me fragilizei para ser amada. Abaixei a voz para ser aceita.
Calei opiniões para pertencer.
Não preciso mais pertencer a ninguém de fora.
EU PERTENÇO A MIM MESMA.
E não repita que sou louca.
Porque gosto do que vejo dentro de mim.
Estou aprendendo a gostar do que vejo no espelho,
mesmo depois de uma vida inteira ouvindo o contrário sobre o que é ser bonita.
O que sou no íntimo, eu amo.
E entendi isso quando parei de seguir o que me foi imposto.
Talvez esse tenha sido meu maior erro: a obediência.
Sem questionar.
Lembro quantas vezes fui calada por contestar.
Mas a rebelde que silenciaram nunca morreu.
Quando pôde, ela virou o jogo.
Superou.
Desconstruiu dentro de si o sistema hétero-cis-normativo-patriarcal-maternal-social que lhe foi apresentado.
Por isso, nunca mais me diga que sou louca porque penso, desejo, realizo e escolho.
Hoje, sou feliz.
COMO NUNCA FUI.
Como disse a grande Rita Lee:
“Mais louco é quem me diz… e não é feliz.”
EU SOU FELIZ.
Karina Zeferino


