Envelhecer… idade… rugas… linhas de expressão… cabelo branco…
Palavras que, em algum momento da vida, passam a fazer parte do nosso cotidiano.
Todos sabemos que vamos morrer um dia, mas evitamos pensar nisso. Muito menos que, a cada dia que passa, estamos envelhecendo.
Nunca tive problema em falar sobre a idade.
Sempre me senti madura quando era jovem — e com rosto de menina após os 30, o que, até então, me dava certo orgulho.
Mas descobri que não estava aceitando os sinais do envelhecimento começando a se tornar visíveis.
Além de sentir o metabolismo mais lento, perceber que a digestão à noite já não é como antes, notar a pele mais flácida e a dificuldade de dançar por horas seguidas, agora não me reconheço no espelho.
Vejo marcas ao redor dos olhos que não estavam nas fotos passadas.
Recentemente, recebi do ginecologista o pedido da minha primeira mamografia.
Escutei que meus ovários estavam entrando em falência.
Ouvi que mulher não tem a vida toda para decidir se quer ou não ter filhos.
E a receita da dermatologista? Mais cara que ingresso de show internacional.
Tenho procurado fazer tudo o que a ciência recomenda para envelhecer bem:
comer mais alimentos naturais, beber bastante água, praticar atividade física, meditar, alongar, dormir com qualidade, estimular a memória…
Também cuido dos relacionamentos, não deixo de ver os amigos, tento conhecer lugares novos, experimentar sabores.
A lista de recomendações atuais é longa.
Mas será que isso é suficiente para um envelhecimento verdadeiramente saudável?
Diante de tantas pessoas nas redes sociais exibindo felicidade e vidas definidas, me pego mergulhada nas minhas incertezas.
Na vontade constante de ser inconstante.
Nas possibilidades de ser e fazer coisas que ontem não me faziam feliz — mas hoje fazem.
Por que preciso ter minha vida definida?
Por que deveria gostar, todos os dias, das mesmas coisas?
Por que tenho que saber hoje o que vou fazer até o final da minha vida?
Ao mesmo tempo que vejo pessoas próximas finalizando sua estadia neste mundo — o que me faz querer aproveitar cada instante —, também percebo outras, mais novas do que eu, que já sabem o que demorei anos para compreender.
E, inevitavelmente, me comparo.
Sei que é um erro. Mas é humano.
Encontrei, no entanto, o que era fundamental para acalmar meu coração:
entender que cada um tem o seu tempo, está no seu tempo e vive o seu tempo.
O que já passou serve de experiência.
E o que vem pela frente será vivido em ciclos — que começam e terminam o tempo todo.
Aprendi que, se eu não encerrar completamente um ciclo, não consigo viver plenamente o próximo.
E que o fim de um ciclo não significa que ele foi ruim.
Assim como não estar no mesmo tempo que outras pessoas não quer dizer que estou atrasada — só estou no meu tempo.
Principalmente, aprendi que recomeçar não é fracasso.
Recomeçar é um privilégio.
É a chance de viver várias vidas dentro de uma só.
É a possibilidade de abrir novas portas, de evoluir, de crescer.
Com isso, tenho encontrado mais fôlego para não desperdiçar nenhum momento.
Porque uma das grandes lições do envelhecer é essa:
o tempo que passou não volta.
E minha vida só vai valer a pena se eu caminhar no meu ritmo,
trilhar meu caminho,
e concluir minha jornada.
Rugas, linhas de expressão e cabelos brancos podem, sim, ser bonitos —
quando eu aceito que eles fazem parte de quem eu sou,
enquanto estou viva.
Karina Zeferino


