Os Fios Invisíveis do Destino

Há quem chame de acaso, de sorte, de mera coincidência. Um encontro inesperado, um olhar cruzado no instante exato, uma música que toca bem quando o coração precisa ouvir. Mas será mesmo que as peças se encaixam ao acaso? Ou será que existe uma força sutil costurando os fios invisíveis do tempo?

O ônibus que você perdeu, atrasando sua chegada, mas evitando que estivesse no lugar errado, na hora errada. A mensagem que não chegou, impedindo uma palavra precipitada que poderia mudar tudo. O estranho que sorriu na rua, num dia em que você já não acreditava em mais nada. São só coincidências, diriam alguns. Mas talvez sejam sinais, respostas sem voz, pequenas orquestrações do destino para quem tem olhos de ver.

O acaso é confortável para quem não quer pensar no que escapa ao controle. Mas e se o universo conspirar mais do que supomos? E se o que chamamos de coincidência for, na verdade, um bordado delicado feito pelas mãos invisíveis da fé?

Fé não é necessariamente religião. Não precisa de dogmas, rituais ou templos. Pessoas têm fé em diferentes coisas, em diferentes pessoas, em diferentes forças. Alguns chamam de Deus, outros de energia, de destino, de propósito, de universo. Mas no fim, tudo é fé: essa certeza que pulsa dentro do peito, guiando passos, sustentando esperanças, fazendo o impossível parecer possível.

Porque há momentos em que a vida se desenrola com tanta precisão, com tamanha poesia, que fica difícil crer no caos. Como se tudo estivesse ali, exatamente onde deveria estar. Como se, no fim das contas, a coincidência fosse apenas o nome que damos ao que o coração já sabe, mas a razão reluta em admitir: algumas coisas simplesmente tinham que acontecer.

Karina Zeferino

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