Bolão. Esse é o nome que escolhemos para nosso cachorro antes mesmo de ele nascer. As reações das pessoas ao ouvirem seu nome são diversas: alguns sorriem e aplaudem a criatividade, outros dão risada e dizem que combina com ele, enquanto uns poucos olham com cara de espanto. Para esses, ele nem abana o rabo. Nós adoramos a história por trás do nome dele. Para começar, Bolão tem duas mamães, isso já o torna diferente de muitos outros cães, mas a verdade é que os humanos sempre ficam curiosos em saber de qual mamãe ele gosta mais. Porém, como somos muito legais, ele não consegue escolher uma só. Até porque, por que escolher uma se ele pode agarrar as duas? Ele é forte para isso.
Viver com Bolão é uma aventura. Passeamos todo dia, levamos ele fazer aula de natação para fortalecer as patinhas e o deixamos na creche para brincar e socializar. Compramos comida boa, embora ele sempre queira a nossa comida. Damos brinquedos gostosos de mastigar, mesmo ele deixando claro que prefere caixas de papelão e garrafinhas plásticas. E para todas as viagens que fazemos, lá está ele fazendo companhia e sendo o “cão-piloto” na estrada. Já trocamos até de carro para acomodá-lo melhor, com um espaço grandão e ar-condicionado só para ele, pois é peludo e pesa 45 quilos. Além disso, só frequentamos restaurantes e hotéis em que ele possa entrar.
Antes mesmo dele nascer, sonhávamos com uma filha humana e um de quatro patas. Certo dia, fomos tirar uma bolinha da barriga de uma mamãe para colocar na barriga da outra, mas por alguns motivos tivemos que renunciar à filha humana. Foi então que escolhemos o nome dele: seria Bolão. Achamos essa história muito bonita porque o planejamos e o adotamos na hora que pudemos dar tudo o que ele merece: companhia, carinho, atenção e amor.
Moramos em apartamento, mas Bolão não precisa de tanto espaço quanto as pessoas pensam. Quando estamos em casa, ele está sempre deitado aos nossos pés, seja aonde for, até no banheiro. Fica de olho em tudo porque, na verdade, é ele quem cuida de nós. Mas Bolão não deixa de ter vida de cachorro. Nada em lago, em piscina, corre na grama, brinca de cabo de guerra e visita seus irmãos cavalos no haras toda semana. Não brigamos com ele se tem vontade de comer algum chinelo ou blusa, já entendemos que ele gosta do cheirinho – ou fedorzinho – que fica ali.
Respondendo à curiosidade dos humanos, ter duas mamães não é diferente das outras famílias. Nós damos ao Bolão tudo o que ele precisa, tudo o que ele merece e até o que não merece. E o mais importante, oferecemos muito carinho e amor. Nossa família é composta por diferentes tipos de patas e somos muito felizes juntos. Amamos nosso Bolão e, ao contrário do que dizem por aí, ter uma vida de cão é uma delícia.
Karina Zeferino


