Ser casado é…

Ser casado é não precisar dizer tchau no domingo à noite.
É saber que a segunda começa do lado de alguém e que a cama desarrumada também é morada.

É perguntar “como foi seu dia?”
não por educação, mas porque se importa de verdade.
É ouvir histórias repetidas com o mesmo carinho, e guardar nas entrelinhas o que o outro ainda não conseguiu dizer.

Ser casado é se importar com a opinião sobre sua meia furada, e, mesmo assim, usar a mesma com um sorriso cúmplice.
É ter quem prove aquela receita improvisada e ainda lave a louça enquanto você seca as mãos nos quadris.

É dar bom dia com bafo, cabelo bagunçado, cara amassada — e ainda assim receber um elogio sincero.
Porque o amor não mora no espelho, mora no olhar de quem vê além.

É ter um corpo quentinho para esquentar o pé gelado, e alguém que pega sua toalha antes mesmo de você pedir.
É rir de piadas internas que ninguém mais entenderia, e criar memes exclusivos do casal —
repetidos mil vezes, sempre engraçados.

Ser casado é comprar besteirinhas para alegrar um dia difícil, é deixar bilhete ao lado da xícara de café, é ter companhia até para buscar pão na padaria.
É querer ouvir a voz no meio da tarde só para lembrar que não está sozinho.

Ser casado é dividir a vida nas coisas mais simples.
É criar memória junto: na cozinha, no sofá, no supermercado.
É ter alguém para rir baixinho ou chorar alto de soluçar.

Casamento, quando é bom, não pesa.
De peso já bastam os quilos da barriga, os boletos, os problemas do mundo.
Casamento bom é paz.
É aconchego.
É respiro.

Mas não se engane:
casamento se faz e se desfaz no dia a dia.
Na rotina, nos hábitos e nos costumes.
Nos princípios, valores, prioridades.
Nas escolhas, desejos e possibilidades.

É dizer “nós” sem apagar o “eu”.
É dividir a vida sem desaparecer nela.
É se doar sem se perder.

É olhar para quem dorme ao seu lado
e ter certeza de que,
mesmo com todos os lugares do mundo à disposição,
é ali que você quer estar.

Ser casado é, no fim das contas,
saber que o amor também se cultiva na simplicidade.
E que o cotidiano, quando vivido com carinho,
é o maior romance que se pode escrever a dois.

Karina Zeferino

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