Participo do clube do livro da Prioli e do Karnal desde o início e esse mês estamos lendo um livro que tem me feito pensar bastante.
Chama-se “O que nos faz bons ou maus”, do psicólogo Paul Bloom.
Nele, o autor investiga a origem da nossa moralidade e mostra que o que nos torna éticos ou cruéis não depende só da empatia, mas também da razão, da cultura, das circunstâncias… e da consciência que carregamos quando ninguém está vendo.
Aí eu me lembrei de uma das perguntas mais provocativas moralmente:
“O que você faria mesmo que ninguém estivesse olhando?”
Porque, no fundo, é fácil parecer bom quando estamos sendo observados.
Mas o que nos define de verdade é o que fazemos no escuro, quando não há plateia, nem aplausos, nem punição.
E foi impossível não lembrar do caso recente que movimentou as redes sociais.
Um CEO foi flagrado traindo a esposa em um show do Coldplay.
O vídeo viralizou, e as consequências vieram:
Viu sua vida virar manchete. Ficou sem emprego e sem a família.
E agora, o mais curioso:
Ele está culpando a banda pela exposição.
A banda.
E aí fica a pergunta:
Será que o problema foi o vídeo, ou o comportamento?
Será que o que incomoda é o fato de ter sido visto ou o fato de ter feito?
Estamos vivendo um tempo em que a linha entre o privado e o público é quase inexistente.
Hoje, qualquer gesto pode ser gravado.
Qualquer erro pode virar corte, legenda e cancelamento.
Mas isso não deveria nos levar a viver com medo da câmera.
Deveria nos levar a viver com mais coerência.
Porque não se trata de fingir ser alguém melhor, mas de ter coragem de sustentar quem se é, mesmo quando ninguém está olhando.
A Psicologia nos convida a refletir sobre isso:
Será que estamos nos responsabilizando pelas nossas escolhas ou terceirizando a culpa para o celular, para o calor do momento, para a lente que nos flagrou?
Será que estamos vivendo como se reputação fosse mais importante do que integridade?
Como diz o Psicólogo: o verdadeiro teste da nossa moralidade não está no que dizemos em público.
Está na escolha que fazemos no escuro.
Quando ninguém cobra.
Quando ninguém vê.
Quando só resta a nossa consciência e a consequência.
E você?
Você seria diferente, se ninguém estivesse olhando?
Karina Zeferino


