Visibilidade e saúde mental: o direito de ser sem precisar se explicar

Nem toda dor grita.

Algumas adoecem em silêncio, na negação do afeto, na mutilação da identidade, na vergonha de existir.

A invisibilidade é uma forma de violência.

Não a do tapa, mas a do apagamento.

Não a que deixa roxo na pele, mas a que marca a alma.

Quando uma mulher lésbica não pode ser quem é, ela não desaparece, ela se encolhe.

E esse encolhimento diário tem um custo.

Na autoestima.

Nos vínculos.

Na saúde emocional.

A psicologia humanista, especialmente com Carl Rogers, já dizia:

“Ser aceito por quem se é, é a base para a saúde psicológica.”

Mas como manter essa saúde quando a condição para ser aceita é não mostrar quem se é?

Estudos mostram que lésbicas que vivem sob alta pressão social para esconder sua orientação sexual têm maior risco de depressão, ansiedade e isolamento emocional.

Não porque ser lésbica adoece, mas porque não poder ser lésbica com dignidade cansa a alma.

Há ainda o peso do olhar.

Da sexualização constante.

Do apagamento em espaços públicos.

Da patologização histórica.

Durante décadas, a homossexualidade foi tratada como doença.

E mesmo depois de ter sido retirada dos manuais diagnósticos, a cultura continua querendo curar aquilo que nunca foi ferida.

Visibilidade, então, é cuidado.

É política de saúde.

É dar nome ao que sempre existiu e que por tanto tempo foi empurrado para o silêncio.

Porque ninguém deve adoecer por ser quem é.

Ser visível, para nós, não é vaidade.

É sobrevivência.

Karina Zeferino

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