Sou fascinada por ler comentários na internet. Um estudo de campo para mim. Laboratório a wi-fi aberto que mais especialista tem por megabites de nuvem.
Home school aumentando, adesão à faculdade diminuindo e muitos diplomas conquistados no Google.com.
Todo mundo tem uma opinião sobre tudo. Mesmo que esse tudo seja só uma parte da história.
Uma opinião correta diga-se de passagem. E a certeza de estar do lado certo da narrativa.
Quando eu era criança, brincando na rua de casa de uma amarelinha adaptada, joguei a pedra no número 6, minha colega no outro extremo acertou a pedra na mesma casinha que a minha, mas gritou 9.
Eu a corrigi dizendo 6.
Ela irritada pela minha audácia gritou mais alto: 9.
Passamos algum tempo ali, cada uma proferindo melhores argumentos para comprovar que estava certa, e após nenhuma das duas dar o braço a torcer, acabamos com a brincadeira emburradas.
Ao ir para casa olhei para trás, do ponto de vista de minha amiga, e lá estavam as pedrinhas no número 9. Não preciso continuar explicando aqui, mas garanto que foi nesse dia que entendi que para uma pessoa estar certa, a outra não necessariamente estará errada. Existem várias camadas dentro de uma mesma história.
Uma questão que considero essencial é a dificuldade de profundidade nas reportagens feitas para redes sociais. Grande parte das pessoas não tem paciência para assistir a vídeos com mais de 60 segundos, mas espera compreender todo o contexto nesse curto espaço de tempo. Além disso, muitos usuários que percorrem o feed interpretam as imagens sem sequer ler as legendas, e, mesmo quando as leem, parecem não captar o significado do que está escrito. Confesso que isso me assusta.
Pergunto-me em que momento as pessoas passaram a acreditar que ter um perfil em uma rede social lhes dá liberdade para opinar sobre tudo e todos. Além disso, é alarmante como palavras ofensivas e discursos de ódio são escritos com a mesma naturalidade que elogios. Tenho plena convicção de que a maioria não teria a mesma postura se estivesse frente a frente com o interlocutor.
Quando se trata de liberdade, é comum que muitos justifiquem ataques virtuais sob o pretexto da “liberdade de expressão”. No entanto, esses ataques vão além de prejudicar a imagem e a moral das pessoas, impactando gravemente sua saúde mental, comprometendo sua qualidade de vida e, em casos extremos, colocando em risco até mesmo sua sobrevivência. Frequentemente, essas atitudes ultrapassam o limite entre o direito à liberdade de expressão e a legalidade, configurando crimes ou incitando ações criminosas.
E quando todo mundo resolve ter uma opinião sobre a vida de alguém? Há aqueles que defendem a pessoa, os que são completamente contra, e ainda os que nem sabem do que estão falando, mal conhecem a situação e aparecem despejando regras que nem seguem em suas próprias vidas. Confesso que me divirto com esses comentários.
A psicologia vê o comportamento de opinar sobre tudo nas redes sociais como um reflexo da necessidade humana de pertencimento, validação e expressão. No entanto, esse cenário também pode revelar aspectos negativos, como impulsividade, narcisismo e dificuldade em lidar com opiniões contrárias.
O artigo “Como a psicologia explica o comportamento das pessoas nas redes sociais”[1] explora como a participação ativa e o feedback nas redes sociais influenciam o comportamento humano, destacando a busca por validação e pertencimento. Já a reportagem do UOL “A difícil tarefa de sustentar uma opinião diferente nas redes sociais”[2], discute os desafios de manter opiniões divergentes nas redes sociais e como isso afeta as interações online.
Viver nos tempos atuais exige equilíbrio entre estar conectado e preservar sua paz interior. É importante filtrar informações, evitar o consumo excessivo, refletir antes de opinar e praticar empatia. Proteger a saúde mental passa por definir limites, valorizar conexões reais e priorizar interações respeitosas. A conscientização e o uso responsável das redes sociais são fundamentais para criar um ambiente digital mais saudável.
KARINA ZEFERINO
[1]https://www.echosis.com.br/como-a-psicologia-explica-o-comportamento-das-pessoas-nas-redes-sociais/?utm_source=chatgpt.com
[2]https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2016/07/30/a-dificil-tarefa-de-sustentar-uma-opiniao-diferente-nas-redes-sociais.htm?utm_source=chatgpt.com


