Entre cicatrizes e conquistas

Aos 40 anos, olho para trás e vejo uma estrada cheia de curvas, subidas íngremes, descidas inesperadas, e alguns atalhos que eu preferia não ter tomado. Mas cada passo me trouxe até aqui. E, no caminho, aprendi muito mais do que imaginava. Aprendi que não tenho a obrigação de amar ninguém. E que, por mais que eu queira, o outro só faz o que quiser — se quiser. Entendi que a ausência de resposta já é uma resposta. E que insistir em quem não quer ficar é desperdício de vida.

Descobri que meu corpo mudou, que minha energia não é a mesma dos 15 ou dos 20. E tudo bem. Porque aprendi a me adaptar. Descobri que certezas foram feitas para serem quebradas, e que a maior riqueza que posso ter é minha saúde mental. Que relacionamentos saudáveis são os que trazem paz. E que aceitar menos do que mereço é um erro que nunca mais vou repetir. Reciprocidade se tornou um valor inegociável. Aprendi que nem tudo me cabe, nem tudo me convém — e que está tudo bem não gostar do que todo mundo gosta.

Compreendi que, às vezes, é preciso se afastar de quem amamos para nos encontrarmos. E que toda escolha traz perdas. Mas perder algo para ganhar a si mesmo… sempre vale a pena. A vida é cíclica — altos e baixos se alternam. Por mais que eu tente ganhar sempre, um dia vou perder. E está tudo bem. Crescer dói. Mas ficar estagnado mata. E escolher qual dor suportar é um poder que só eu tenho. Aprendi que tudo em que foco cresce. Que as escolhas diárias moldam a vida inteira. E que nem tudo é problema a ser resolvido, algumas coisas são verdades que precisam ser aceitas. Que mudar é necessário. E ficar parado é andar para trás.

Aprendi a tolerar quem pensa diferente. A dialogar com quem quer trocar. E a aprender com as diferenças. Mas também aprendi: a vida é 100% melhor quando as pessoas não sabem muito sobre mim. Percebi que não devo ouvir conselhos de quem não está onde quero chegar. Que o tempo revela quem as pessoas realmente são. E que criar minhas oportunidades é melhor do que esperar que elas apareçam. Liberdade exige coragem. E agir é o único caminho para experimentá-la. Aprendi que sempre terei problemas e conflitos.
Mas que a vida continua enquanto lido com eles.

Há beleza em tudo — basta ajustar o olhar.

Posso chorar na tempestade ou dançar na chuva.

A vida é feita de escolhas.

Aceitei que a vida adulta é cheia de lutos.

Deixamos a criança que fomos, as idealizações, os sonhos que não se concretizaram. E seguimos em frente. Compreendi que nossos pais são só pessoas tentando viver. E aceitei que hoje, minha nécessaire tem mais remédios do que maquiagem. Aprendi que amigos de verdade se alegram com nossas conquistas. E que pessoas que somem quando tomamos decisões que não lhes agradam… nunca mereceram um lugar em nossa vida.

Ainda não sei exatamente o que é sucesso.

Mas sei que fracasso é deixar que alguém escreva a história da minha vida por mim.

Hoje, abro espaço para novas formas de existir. E aprendi a reconhecê-las como minhas. O grande desafio? Descobrir quem sou. E continuar priorizando meus valores,
apesar das constantes mudanças da vida.

Karina Zeferino

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