Não dizemos “eu te amo” todos os dias.
Não agradecemos a presença de quem amamos, nem sentimos a urgência de um abraço demorado.
Guardamos sentimentos para depois.
Depois…
Mas e se o depois não vier?
O tempo passa rápido.
Rápido demais para adiarmos um pedido de desculpas.
Para silenciarmos um “sinto sua falta”.
Para ignorarmos a beleza de um pôr do sol — que já esquecemos de olhar.
Se soubéssemos que o amanhã não viria, o que faríamos?
Correríamos para os braços de quem nos faz bem?
Deixaríamos para trás as mágoas pequenas, os orgulhos tolos, os medos sem nome?
Viveríamos diferente?
A morte sempre me assombrou.
Não a minha — nunca tive medo de partir.
O que me dilacera é a ideia de perder aqueles que me são essenciais.
Aqueles que fazem a vida ter cor e sentido.
E quando a morte chega, todos dizem as mesmas frases:
“Precisamos nos ver mais…”
“Eu deveria ter ligado…”
“Se ao menos eu tivesse dado um último abraço…”
Mas logo o tempo nos engole de novo.
Nos prendemos à rotina, ao caos diário, à ilusão de que sempre teremos mais um dia.
E assim seguimos, fingindo que faremos diferente…
Até que a morte nos desperte outra vez.
Se encarássemos a morte de frente,
abraçaríamos com mais força,
diríamos “eu te amo” sem hesitação,
olharíamos nos olhos — sem medo de sentir.
Um dia li em um livro:
“Se você morresse amanhã, quais dos seus problemas de hoje seriam realmente problemas?”
E a verdade é que, diante da morte, quase tudo se apequena.
Filmes, músicas, histórias sobre despedidas sempre me tocaram fundo.
Talvez porque sei que a morte é a única certeza que temos.
E por isso, decidi não viver de arrependimentos.
Vivo sabendo que o fim pode chegar a qualquer momento.
Sei que não estarei preparada. Nunca estamos.
Mas terei no coração a serenidade de quem viveu.
De quem sentiu.
De quem amou.
De quem falou tudo o que precisava ser dito.
E você?
Como pode viver… antes que a morte chegue?
Karina Zeferino


