Nos ensinaram a temer os erros.
Desde pequenos, ouvimos que falhar é fracassar, que errar é sinônimo de incompetência.
Mas ninguém nos contou que, às vezes, é justamente na falha que encontramos um novo caminho.
Foi assim que a penicilina surgiu — uma distração, um esquecimento, e de repente, um remédio que salvaria milhões de vidas.
Foi assim que o micro-ondas foi descoberto — um cientista, um chocolate derretido no bolso, e o mundo nunca mais cozinhou da mesma forma.
Foi assim que a dança se reinventou — passos errados que viraram giros icônicos, deslizes que se tornaram arte.
E talvez, seja assim também com a vida.
Quantas vezes lamentamos os caminhos que não deram certo, sem perceber que eles apenas estavam nos empurrando para outro destino?
Quantas vezes amaldiçoamos as portas que se fecharam, sem notar que, ao lado delas, uma janela estava se abrindo silenciosamente?
Eu mesma já errei e me senti fracassada. Só mais tarde entendi que se o primeiro passo não tivesse saído da trilha, jamais encontraria a cachoeira. Foi assim com o primeiro casamento. Chorei quando a idealização daquele momento acabou, mas anos depois encontrei o amor de uma forma que jamais saberia que existia se não tivesse me sentido infeliz e recuado.
Os erros nos ensinam mais do que os acertos.
Eles nos mostram que o controle é ilusão, que a rigidez nos aprisiona, que o inesperado pode ser uma dádiva.
Que algumas coisas, quando saem errado, na verdade, saem certo — só não da maneira que planejamos.
Talvez, ao invés de temer os tropeços, devêssemos aceitá-los como parte da dança.
Porque, no final, é do improviso que nascem as mais belas melodias.
Karina Zeferino


