Frequentemente ouço de pais, mães ou outros cuidadores que fariam de tudo pelos seus filhos.
Tudo… é muita coisa.
Esse “tudo”, muitas vezes, significa que sofreriam em prol dos filhos para não vê-los angustiados; adoeceriam em sua defesa para poupá-los do padecimento; e até morreriam para que vivessem.
Infelizmente, pais e mães não têm esse poder. Ainda assim, seus desejos são genuínos.
Mas, se explorarmos um pouco mais, perceberemos que — diante de uma situação extrema — morrer para que o outro viva pode parecer o ato mais altruísta de um ser humano: dar a vida por alguém.
Mas… será mesmo?
Imagine que você está em um barco à deriva com outra pessoa, e há apenas um colete salva-vidas.
Em vez de lutar para encontrar uma solução para ambos, você imediatamente joga o colete para o outro e se lança ao mar, afundando sem tentar nadar.
Parece um sacrifício nobre, mas, na verdade, você não deu ao outro uma escolha, nem buscou um meio de salvar vocês dois.
E ainda pode ser que sua atitude não o salve.
Altruísmo seria tentar encontrar uma maneira de ambos sobreviverem — e não apenas desaparecer para que o outro continue.
Nem em vida, nem em morte: apagar-se pelo outro é gesto de entrega, mas não necessariamente de altruísmo.
Se você é pai ou mãe e diz que faria tudo pelos seus filhos:
- Faria terapia para lidar com suas emoções, para que elas não respinguem sobre eles?
- Pediria desculpas por algum erro que cometeu, mesmo que tenha “feito o melhor que podia”?
Se você é cuidador ou cuidadora responsável:
- Deixaria de beber, fumar ou se viciar, se isso também os prejudica?
Se faria tudo pelos seus filhos:
- Cuidaria da sua saúde física e emocional como nunca cuidou antes?
- Mudaria o que fosse necessário, mesmo que doesse?
Na morte, tudo cessa.
Mas na vida, resta a chance de trilhar caminhos, e levar consigo — para onde for — aqueles que dependem de você.
Então, talvez a pergunta mais verdadeira não seja se você morreria por eles.
A pergunta é:
VOCÊ VIVERIA PELOS SEUS FILHOS?
Karina Zeferino


