Conselhos para o meu eu do futuro que gostaria que meu eu do passado tivesse recebido

Ei, você aí no passado… 

Respire. Você ainda não sabe, mas aquela angústia que parece intransponível vai virar uma lembrança distante. As lágrimas que agora molham o travesseiro vão secar, e um dia você vai rir das mesmas coisas que hoje te fazem chorar. O tempo, esse teimoso, tem o estranho hábito de curar o que parecia incurável. Não o acelere, sinta.

Não tenha tanta pressa. Você vai errar e, acredite, isso não será o fim do mundo. Alguns dos seus erros vão se tornar os seus maiores acertos, e aquilo que hoje te parece um tropeço, amanhã será o empurrão que te levou para onde você precisava estar. Comece.

Você vai mudar. Os sonhos que hoje parecem certezas podem não fazer mais sentido amanhã – e tudo bem. Permita-se evoluir, recomeçar, escolher caminhos diferentes. Não se prenda a versões suas que já não cabem mais. Nem a cor dos cabelos.

O amor não precisa doer. Você ainda vai aprender isso, mas por enquanto, só escute: amor de verdade não machuca, não prende, não silencia. Você não precisa merecer o amor de ninguém – ele acontece porque é livre, porque é leve, porque te acolhe sem te moldar. Não insista.

E falando em leveza… não tente carregar o mundo sozinha. Você não é fraca por precisar de colo. Aliás, vai aprender que existem abraços que são casas, e que caminhar ao lado de alguém não significa perder o próprio rumo. Peça ajuda.

Agora, um conselho para o meu eu do futuro: não esqueça. Não esqueça das dores que moldaram sua força, das quedas que ensinaram a se levantar, do fogo pelo qual passou e que te tornou quem você é. Sua experiência é seu maior trunfo.

Seja gentil com você. O tempo passa rápido, e a vida não espera.  

Viva.  

Se meu eu do passado pudesse me olhar hoje, acho que ficaria feliz em saber que eu não esqueci a minha essência.  

Que, apesar de tudo, ainda acredito na beleza das palavras e no poder que elas têm de tocar e transformar. Que continuo curiosa, buscando compreender o mundo e as pessoas. Que não abandonei a empatia, mesmo quando ela parecia me pesar mais do que me fortalecer. 

Meu eu do passado sorriria ao ver que, mesmo depois de tantas perguntas sem resposta, continuo tentando entender a vida com a mesma paixão de antes. Que não deixei de sonhar, mesmo sabendo que alguns sonhos ficam pelo caminho.  

E se eu pudesse responder a ele, diria: “Fique tranquilo. Você não se perdeu. Você só cresceu.”

Karina Zeferino

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