Dizem com nostalgia: “No meu tempo…”, como se o passado fosse um refúgio intocável, como se pudesse ser revivido com um mero suspiro de saudade. Outros suspiram pelo futuro: “Quando eu me formar, quando eu comprar minha casa, quando eu tiver mais tempo…”, sempre na promessa de um dia que nunca chega. Mas a verdade, a única verdade que temos, é que o tempo não volta e o amanhã não é garantido. Se você está vivo, seu tempo é hoje.
Vivemos numa pressa constante, mas nunca para o agora. No trabalho, ansiamos pelo happy hour. No happy hour, contamos as horas para chegar em casa. Em casa, já nos preocupamos com o dia seguinte. Estamos sempre em outro lugar, vivendo em outra hora. Nunca no presente. Corremos tanto para alcançar um tempo ideal que, quando percebemos, ele já se esvaiu pelos vãos dos dedos.
E enquanto tentamos capturar cada instante para provar que o vivemos, será que realmente o estamos vivendo? Há uma urgência em compartilhar o agora, em postar o brinde antes mesmo de beber, em filmar o show sem de fato ouvi-lo, em transformar cada momento em um registro antes que ele seja uma experiência. Do outro lado, há quem aguarde esses fragmentos alheios para sentir que faz parte, quem percorra stories como quem folheia uma vida que não é a sua, buscando se preencher com a existência dos outros. Mas e a própria vida? Não se perde também nesse ciclo de ausência disfarçada de presença?
E se parássemos por um instante? Se respirássemos fundo e sentíssemos o peso e a leveza desse exato momento? Se notássemos o céu da manhã sem pensar no trânsito, se ouvíssemos de verdade a risada dos amigos sem nos preocuparmos com o relógio, se mergulhássemos na presença de quem amamos sem pensar na próxima tarefa? Talvez a vida não precise de mais pressa, mas de mais presença.
O tempo não espera. Não negocia, não se curva a desejos adiados. Enquanto fazemos planos para viver amanhã, a vida acontece. E se há algo que ninguém pode garantir, é que esse amanhã chegará. Então, que possamos nos demorar naquilo que importa, que possamos sentir o agora com todas as suas cores e texturas. Porque no fim, não importa o tempo que passou, nem o que ainda não veio. O único tempo que temos é hoje.
Karina Zeferino


