A idade em que me escolhi

Não trocaria a maturidade dos 40 pela impulsividade dos 18.
Aos 18, eu era insegura, buscava aprovação, queria me encaixar, fazia de tudo para parecer perfeita.
Hoje, aprecio minha própria companhia, cultivo amor-próprio, escolho qualidade em vez de quantidade nas amizades e sou segura até nas minhas imperfeições.

Não trocaria meu corpo atual: com suas flacidezes, marcas de expressão e celulites (que, aliás, sempre estiveram ali), pelo corpo firme dos 12, quando já me diziam que eu parecia uma “mocinha”, nem pelo rosto angelical dos 25, cuja aparente ingenuidade me fez sofrer diante da crueldade alheia.
Hoje, sei me defender, sei o que mereço e não permaneço onde não me encaixo.

Não trocaria o sexo consciente e intenso de agora pelo frenesi dos vinte e poucos, porque hoje conheço meus desejos, sei o que gosto, como gosto e, principalmente, sei como realizá-los, com presença, entrega e verdade.

Não trocaria o cansaço de agora, consequência natural do tempo e das exigências da vida, pela energia quase infinita dos 20.
Naquela época, eu esticava as noites e trabalhava no dia seguinte como se nada tivesse acontecido.
Mas hoje, prefiro passos mais lentos, um único programa que realmente valha a pena, um jantar com poucos amigos, uma noite de sono completa e o prazer de respirar o ar fresco da manhã.

Não trocaria este momento da minha vida pela infância, porque minha criança interior segue viva.
Ela tem espaço para brincar, sonhar e me lembrar, sempre que preciso, de nunca abandonar a leveza da vida.

A maturidade me ensinou que tudo o que preciso está dentro de mim.
Que, para todas as perguntas que a vida me impõe, a resposta mora no silêncio do meu coração.
Aprendi que, antes de encontrar um amor para compartilhar a vida, precisei aprender a amar quem sou.
Aceitar minhas qualidades e imperfeições.
Respeitar meus limites.
Seguir meus princípios.
Abandonar as amarras sociais que me afastavam do caminho que meu coração queria trilhar.
Só me amando inteira, o amor pôde, enfim, me encontrar.

Talvez… talvez eu só quisesse trocar minha coluna herniada pela de quando tinha 15 anos.
Mas, pensando bem, foi justamente a dor que me fez mais sábia, mais resiliente e muito mais consciente dos cuidados que preciso.
Então… melhor deixar como está.

Porque hoje não é apenas uma idade, é o ponto da estrada em que finalmente parei de correr atrás do que esperavam de mim e comecei a caminhar rumo ao que me faz sentido.

Hoje, aos 40, não carrego mais o peso de querer voltar no tempo.
Carrego a leveza de estar exatamente onde escolhi estar.
E o que vier daqui para a frente: que venha.
Com rugas, com calma, com verdade.
Mas, principalmente, que venha comigo inteira.

Karina Zeferino

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