Num vilarejo distante da cidade, vivia uma família unida e feliz: o pai, a mãe e os trigêmeos, duas meninas e um menino. Aos 6 anos as crianças foram para a escola e ouviram da professora que iria começar os preparativos para o Natal, porém elas nunca tinham ouvido falar nesse tal de Natal.
Já em casa, ao perguntarem o que era o Natal, a mãe respondeu que naquela casa isso não existia e que não tocaria mais nesse assunto.
As crianças sem entender, olharam para o pai que explicou tudo o que queriam saber, além da característica religiosa e social. Contou que a família sempre comemorou enfeitando a casa, montando a árvore, fazendo biscoitos e se reunindo, no entanto, revelou que no ano em que as crianças estavam na barriga de sua mãe, houve um acidente com os pais dela a caminho da ceia, e desde então ela nunca mais quis comemorar, porque os pais já não estavam mais presentes.
Na semana seguinte, os irmãos pesquisaram tudo sobre o Natal. Descobriram o Papai Noel, a troca de presentes e que é uma época de solidariedade com o próximo; compreenderam que é um momento de renovação da fé na humanidade, fortalecimento dos laços familiares e de amizade e propício para se conectar com o que realmente importa: as pessoas amadas. Entenderam o porquê de a mãe ficar triste nessa época, mas comentaram entre si que gostariam de vivenciar essa tradição, e sem querer a mãe ouviu essa conversa.
Os dias seguintes foram aparentemente normais e com as férias escolares, as crianças pararam de pensar no Natal, mas surpreendentemente foram acordadas na manhã do dia 25 de dezembro pelos pais muito entusiasmados e com diversas surpresas.
Os filhos ainda meio dormindo foram convidadas a arrumar os inúmeros enfeites na árvore, colocar a mão na massa fazendo biscoitos de açúcar e aprenderam a cantar músicas natalinas.
Depois de se divertirem em família e antes de abrir os presentes, a mãe chamou o grupo para uma oração e confessou que o Natal tinha morrido para ela, entretanto, ao perceber o quanto a presença dos filhos trazia alegria à casa e renovação a sua vida, não achou justo que eles não tivessem a oportunidade de participar dessa tradição que há anos envolvia a família.
Todos se abraçaram, e dali por diante o sentimento de dor se transformou em saudade e as crianças tiveram a chance de criar suas próprias memórias dessa época tão linda do ano; assim, novas recordações felizes foram construídas em família a fim de serem compartilhadas com a próxima geração.
Karina Zeferino


