Demorei anos para entender que meu padrão de comportamento… me oprimia.
Passei tempo demais atendendo às demandas externas, enquanto mal olhava para dentro.
Fiz escolhas que me feriram tentando ser o que os outros esperavam.
E, ferida, acabei ferindo também.
Julguei tantas vezes quem eu era por não ser perfeita —
E hoje me pergunto: em que momento me ensinaram que a perfeição existia?
Me cobrei por posturas que nunca consegui manter, justamente porque não eram minhas.
Me esforcei tanto para agradar o mundo de fora, que quase perdi a chance de reencontrar o que havia dentro.
Aceitei tão pouco dos outros, que acabei devolvendo tudo em raiva —
uma raiva que mirava, com precisão, meu próprio reflexo.
Errei tentando não errar.
Falhei tentando não falhar.
Foram muitas as vezes em que me calei.
Minha voz não era ouvida.
Meus desejos, invalidados.
Minhas vontades… rotuladas de egoísmo.
Por muito tempo, carreguei a culpa por terem abusado da minha inocência, sem que eu tivesse sequer aprendido a me defender.
Já me chamei de fraca por permanecer onde me machucavam —
sem entender que fiquei por não ter para onde ir.
Busquei felicidade durante longos períodos de tristeza.
Sobrevivi onde viver doía demais.
Tive fases depressivas.
Teve dias em que desejei não estar mais aqui.
Porque viver — do jeito que estava — era insuportável.
Demorei para compreender.
Mas hoje sei:
Amor,
aceitação
e limites
não se encontram fora.
Eles nascem —
só quando começam a viver
dentro de mim.
Karina Zeferino


