Felicidade em 5 tempos

A felicidade não se mede por inteiro. Ela se revela em pedaços. Em tempos. Em jeitos diferentes de existir no mundo.

1. Felicidade como uma criança é…

Gargalhar até doer a barriga e nem lembrar do motivo da risada.
É brincar na chuva como se ninguém estivesse olhando, sem se importar com a roupa molhada, com o cabelo despenteado ou com a bronca da mãe depois.
É enfiar o pé na lama e, já que começou, aproveitar para rolar o corpo todo.
É ralar o joelho escorregando no barranco com papelão e achar que aquilo foi a maior aventura do mês.
Felicidade infantil é essa: viva, inteira, imediata e sem filtro.

2. Felicidade em sociedade é…

Ser ouvido quando precisa falar, sem interrupções, sem pressa, com escuta de verdade.
É abraçar quem estava longe, sentindo o tempo parar no aperto do reencontro.
É alternar de lugar, uma hora cuidando, outra sendo cuidada; como numa dança espontânea entre afetos.
É ter uma mão a mais quando a sua já não dá conta.
Felicidade coletiva é apoio, partilha e presença. Às vezes em silêncio, às vezes em gargalhada.

3. Felicidade como um lugar é…

Estar no topo de uma montanha vendo o sol nascer ou se pôr, e sentindo que nada mais importa.
É subir uma trilha difícil e ser recompensada com a vista de uma cachoeira.
É sentir a grama molhada sob os pés e o ar frio da manhã tocar a pele com respeito.
É deixar os pés serem abraçados pelas ondas do mar, sem se importar com o sal, com o tempo, com o depois.
Felicidade geográfica é a que se encontra quando o corpo descansa e a alma respira.

4. Felicidade em parceria é…

É sentir saudade no exato momento em que dá tchau.
É dormir abraçadinho e acordar suado porque ninguém quis se desgrudar.
É receber uma mensagem despretensiosa no meio do dia e sentir o coração aquecer só de ser lembrada.
É pensar numa desculpa qualquer só para estender mais um pouco o tempo ao lado de quem se ama.
Felicidade a dois é ternura no cotidiano, é presença na ausência, é riso partilhado entre um café e um carinho.

5. Felicidade como corpo é…

É quando o desejo da alma encontra abrigo no corpo.
É saber-se inteira, mesmo com as partes que ainda faltam.
É aceitar que alguns vazios também completam.
É sentir o equilíbrio delicado entre querer e poder, entre razão e emoção, entre a cabeça que pensa e o coração que pulsa.
Felicidade encarnada é quando o corpo não apenas vive, mas habita a própria existência.

Talvez felicidade não seja um lugar fixo nem um sentimento permanente.
Talvez seja só isso: reconhecer os cinco tempos. E aprender a estar em cada um deles.

Karina Zeferino

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