Outro dia me perguntaram o que era liberdade pra mim. Fiquei alguns segundos em silêncio, porque a resposta parecia grande demais para caber em poucas palavras. Não é só sobre ir e vir. É também. Mas liberdade, no fundo, tem mais a ver com o que não se vê do que com o que se faz.
Liberdade, pra mim, é poder fazer minhas próprias escolhas sem ter que pedir permissão.
É acordar e me vestir como quiser, sem medo de olhares tortos ou julgamentos disfarçados de opinião.
É não estar presa a padrões, nem de beleza, nem de comportamento, nem de gênero.
É não precisar performar feminilidade pra ser mulher o suficiente.
É ter meu próprio dinheiro e poder decidir o que fazer com ele. Comprar um presente, viajar sozinha, investir num sonho ou simplesmente gastar comigo mesma sem precisar justificar.
Liberdade é dizer não.
Não para o que fere meus valores, para o que me apaga, para o que me diminui.
É não depender da aprovação de ninguém pra existir.
É caminhar ao lado de alguém por escolha, nunca por necessidade.
É não se perder na tentativa de agradar.
Liberdade também é emocional.
É não estar amarrada a expectativas alheias.
É não viver em função do outro.
É gostar do que vejo no espelho, mesmo nos dias difíceis.
É me sentir inteira na minha própria companhia.
Liberdade é paz.
Não aquela paz que vem da ausência de barulho, mas a que nasce quando a gente para de brigar com quem é.
Liberdade, pra mim, é ser.
Sem caber.
Sem pedir licença.
Sem me esconder.
É viver em coerência com quem sou na essência, mesmo que isso desagrade, confunda ou provoque quem ainda não encontrou a sua.
Karina Zeferino


