Quando me disseram que era errado, mas era amor

Disseram que era errado.

Mas não viram como meus olhos sorriam quando ela chegava.

Como o corpo descansava no abraço dela.

Como o mundo parecia caber naquele silêncio confortável entre duas xícaras de café.

Disseram que era errado.

Mas não estavam lá quando eu descobri que amar podia ser leve.

Sem cobrança, sem disputa, sem papel fixo para cumprir.

Era só amor.

E por ser entre mulheres, parecia inaceitável.

A sociedade nos ensinou que o amor certo tem formato, cor, gênero e função.

Amor certo é aquele que reproduz. Que se encaixa. Que agrada a norma.

Mas o amor que nos disseram errado…

é o amor que nos salvou, que me salvou!

A psicanalista Suely Rolnik fala do “desejo como força de existência”,

algo que rompe com o que nos aprisiona e nos empurra para a vida.

Desejar uma mulher, amar uma mulher, foi essa ruptura.

Foi dizer: meu desejo não precisa da sua permissão.

Por muito tempo, carregamos a culpa como herança.

Não era o amor que doía,

era o medo, o julgamento, o isolamento.

E ainda assim…

a gente amou.

Amou mesmo com medo.

Mesmo sem nome.

Mesmo sem representação.

Mesmo tendo que explicar, esconder, justificar.

Porque o amor entre mulheres não se aprende nos contos de fadas,

mas se vive como quem escreve um novo final.

Karina Zeferino

Mês da Visibilidade Lésbica

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