Para você que ainda vive o amor em silêncio,
que troca olhares escondidos e sorrisos contidos,
que escreve mensagens com códigos e se despede com “cuide-se”
quando queria dizer “eu te amo”.
Para você que precisa apagar conversas,
esconder fotos, evitar perguntas.
Para você que ainda mede cada passo, cada palavra, cada roupa.
Para você que ainda ensaia um dia poder dizer com a voz inteira:
“ela é minha.”
Eu te vejo.
Eu vejo sua coragem de viver o amor mesmo no escuro.
Vejo sua delicadeza de proteger o que ainda não pode ser exposto.
Vejo sua força de continuar, mesmo cansada de se esconder.
Vivemos em uma sociedade que ainda cobra liberdade como prova de coragem,
mas esquece que nem toda mulher tem o mesmo chão.
Nem toda mulher pode sair do armário sem perder o teto.
Nem toda mulher pode se mostrar sem perder o trabalho, o afeto, a paz.
A escritora e ativista Chimamanda Ngozi Adichie diz que “o silêncio é uma linguagem de quem tem medo, mas também de quem resiste.”
E o seu silêncio, por mais doloroso que seja, também é um modo de cuidar.
De você.
De quem você ama.
Da história que ainda está sendo escrita.
Mas saiba:
você não está sozinha.
Mesmo quando o mundo diz que não te vê —
nós vemos.
E mesmo quando o mundo diz que você ainda não é —
você já é.
Você é amor inteiro.
Mesmo em segredo.
Você é verdade.
Mesmo na sombra.
E quando (ou se) um dia você quiser vir à luz,
Nós vamos estar aqui.
Com flores.
Com palavras.
Com braços abertos.
Agosto, mês da Visibilidade Lésbica
Karina Zeferino


