A mulher aprende cedo a cuidar dos outros.
Cresce ouvindo que ser boa é ser disponível, que amar é servir, que sua força está em sustentar o mundo. E assim, muitas seguem a vida fazendo exatamente isso: cuidando de filhos, companheiros, pais, pacientes, alunos, clientes… Mas raramente de si mesmas.
Um estudo de Harvard, que há mais de 80 anos acompanha o que realmente traz felicidade e longevidade, mostra que os vínculos são o principal fator de uma boa vida e de uma boa velhice. Não é o sucesso, nem o dinheiro, nem o reconhecimento, é a qualidade das relações.
Mas quando o vínculo central de uma mulher se restringe ao papel de quem cuida, o risco é que ela envelheça cercada de pessoas, mas ainda assim se sinta só.
Porque vínculo não é apenas presença, é troca.
E muitas mulheres, acostumadas a doar, nunca aprenderam a se permitir receber.
Por isso, talvez o convite seja esse: rever os vínculos.
Construir laços que também te nutram, te façam rir, te inspirem.
Amizades, grupos, projetos, redes de afeto; tudo aquilo que te lembre que você é parte, e não apenas apoio.
A boa velhice não nasce do amor que você deu, mas também do amor que você permitiu ficar.
E por amor…
Não falo só do amor de um relacionamento.
Falo do amor que vem das trocas verdadeiras, dos encontros sinceros, das amizades que acolhem, dos vínculos que aquecem.
Porque o amor que sustenta a vida não tem um nome só, tem muitos rostos, muitas formas, e pode estar em todo lugar onde há afeto.
Karina Zeferino


